Mortos ou descansando? Entenda por que famílias tiravam fotos com cadáveres e os deixavam em casa no século XIX
No século XIX, as famílias na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos adotaram o hábito de fotografar parentes falecidos, muitas vezes mantendo os corpos em casa antes do sepultamento. A prática, conhecida como fotografia post-mortem, surgiu logo após a invenção do daguerreótipo, primeiro processo fotográfico comercializado em 1839, servindo como uma ferramenta para processar a dor da perda.
O luto no ambiente doméstico
Diferente da relação moderna com a morte, os vitorianos cuidavam dos doentes e preparavam os corpos no próprio lar. Como os caixões sob medida demoravam para ser construídos, os falecidos permaneciam em camas ou sofás, integrados à rotina doméstica.
As imagens costumavam simular um “último sono”, retratando a pessoa como se estivesse apenas dormindo, o que ajudava a aceitar a realidade da perda.
O nascimento de uma tradição
O “aniversário” ou nascimento dessa prática remonta à própria origem da fotografia comercial. Antes de 1839, apenas os ricos podiam pagar por retratos pintados.
A fotografia funcionou como um equalizador social: na década de 1850, um daguerreótipo custava cerca de 25 centavos de dólar, tornando-se acessível para as classes média e trabalhadora. Para muitos pais, essa era a única imagem que teriam de seus filhos.
Legado e distanciamento
A popularidade desse costume diminuiu após 1880 com a profissionalização do setor funerário, que transferiu o velório para fora das residências. Hoje, historiadores estudam a memória desse período para compreender como a sociedade transformou sua sensibilidade em relação à mortalidade.
Fonte: CNN Brasil
