Gravidez após os 35 anos: especialistas explicam riscos a Dr. Kalil
A gravidez em idade avançada traz desafios específicos para a saúde materna e fetal.
No programa CNN Sinais Vitais, com Dr. Roberto Kalil, Rosiane Mattar e Karina Belickas discutiram as principais complicações que podem surgir durante a gestação e a importância de um acompanhamento médico contínuo.
Adaptações do organismo e riscos de complicações
Durante a gestação, o organismo feminino passa por uma série de adaptações para lidar com o aumento do volume de líquidos no corpo. Segundo Karina Belickas, o coração e os rins precisam se reorganizar para dar conta dessas mudanças.
“A pressão acaba subindo por uma dificuldade em lidar com esse aumento de volemia”, explicou a especialista, acrescentando que os vasos sanguíneos nem sempre conseguem dilatar o suficiente para comportar esse volume adicional, o que pode elevar a pressão arterial e favorecer o desenvolvimento da pré-eclâmpsia.
Outro risco relevante é o diabetes gestacional. De acordo com Karina Belickas, a placenta produz um hormônio chamado lactogênio placentário, que provoca resistência à insulina periférica.
Esse processo se intensifica a partir de 24 a 26 semanas de gestação, embora o diagnóstico possa ocorrer já no primeiro trimestre. “Esse risco aumenta depois de 24, 26 semanas”, destacou a especialista.
Consequências do diabetes gestacional não controlado
Quando o diabetes gestacional não está adequadamente compensado, as consequências podem afetar tanto a mãe quanto o bebê. Karina Belickas explicou que os bebês tendem a crescer além do esperado e que a quantidade de líquido amniótico também aumenta.
Isso agrava o desconforto materno, dificulta o retorno venoso e pode antecipar o parto. “Você tem que contornar todas essas coisas com a paciente, com mudança de hábito, eventualmente com medicação e orientação”, afirmou, ressaltando que o objetivo é garantir um desenvolvimento adequado do bebê e evitar a prematuridade.
A idade materna e as transformações ao longo do tempo
Rosiane Mattar destacou que o perfil das gestantes mudou significativamente nas últimas décadas. Segundo ela, quando iniciou sua carreira, eram raras as pacientes com mais de 40 anos.
Hoje, gravidez tardia é comum em todos os níveis socioeconômicos, impulsionada por fatores como a necessidade de ambos os parceiros trabalharem, além de metas pessoais e profissionais. “Hoje a mulher chega com uma saúde melhor, ela é mais ativa”, observou Rosiane Mattar.
A especialista informou que, segundo a Organização Mundial de Saúde, o período considerado mais favorável para o corpo engravidar é entre os 18 e os 24 anos. A partir dos 35 anos, a gestante passa a ser classificada como primigesta de idade avançada.
Apesar das mulheres chegarem a essa faixa etária em melhores condições de saúde do que em gerações anteriores, Rosiane Mattar alertou que “cada célula do corpo sabe a idade que tem, não tem jeito”, reforçando a necessidade de acompanhamento especializado durante toda a gestação.
Fonte: CNN Brasil
