Lupion aponta crédito e dívida como prioridades do agro no novo Congresso
O novo Congresso mantém o agro entre os principais grupos de pressão da política nacional, mas o tamanho da bancada não conta toda a história. O desafio, segundo Pedro Lupion, é transformar representação em capacidade real de negociação e influência sobre a agenda do próximo governo.
Em entrevista ao CNN Agro News, Lupion afirmou que não pretende continuar na presidência da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária ) no próximo mandato. “A gente tem que oxigenar, passar para frente, entregar para as próximas pessoas”, declarou.
Segundo ele, a sucessão já está sendo preparada e o nome do deputado Zé Vitor tem sido trabalhado para compor a nova executiva da entidade. A definição, no entanto, deve ocorrer apenas em março do ano seguinte.
Endividamento e crise de crédito no setor
Para Lupion, o principal ponto inegociável nas conversas com o próximo governo é a resolução da questão econômica do país. “Nós estamos enfrentando um endividamento recorde no setor, estamos enfrentando um problema seríssimo de inadimplência, o produtor não está conseguindo plantar, não está conseguindo colher”, afirmou.
Ele destacou ainda que uma renegociação de dívidas já aprovada na Câmara e no Senado não foi aceita pelo governo atual, que editou uma medida provisória considerada insuficiente pelo setor. Lupion citou que o enquadramento previsto na MP gira em torno de 12% e que o relator Paulo Pimenta teria ignorado 144 emendas apresentadas pela bancada.
O parlamentar também apontou que o cenário macroeconômico agrava a situação do produtor rural. “Nós estamos falando de um país com R$ 11 trilhões de dívida pública, quase R$ 65 bilhões de déficit primário, os juros lá nas alturas”, disse.
Para ele, os juros elevados encarecem o crédito e tornam os alimentos mais caros, prejudicando tanto produtores quanto consumidores.
Plano safra plurianual e redução da dependência do Estado
Lupion defendeu uma reestruturação profunda do plano safra, tornando-o plurianual nos moldes da Farm Bill americana, com planejamento orçamentário a cada cinco anos para a agropecuária.
Segundo ele, na última safra de verão, apenas cerca de 20% do financiamento veio de recursos públicos, com o restante sendo suprido por títulos privados como LCAs, CPRs financeiras e o Fiagro. “A gente tem que entender que o plano safra tem que ser cada vez menos dependente de um governo”, afirmou.
Ele também defendeu a criação de um seguro agrícola obrigatório e equalizado, argumentando que apólices mais completas reduziriam o custo do crédito ao mitigar riscos.
Meio ambiente e comércio exterior
Ao ser questionado sobre as exigências internacionais de rastreabilidade e conformidade ambiental, Lupion ressaltou que o Brasil já cumpre a legislação ambiental mais restritiva do mundo, com mais de 40% das áreas preservadas do país localizadas em propriedades rurais privadas.
“Nós fazemos isso, temos lucro e conseguimos ser os maiores produtores de alimento do mundo”, declarou. Ele acrescentou que tanto a ONU quanto o USDA americano apontam o Brasil como o único país capaz de triplicar sua produção nas próximas décadas sem desmatamento ilegal, por meio da tecnificação e do aproveitamento de áreas de pastagem abandonadas.
No campo do comércio exterior, Lupion apontou a necessidade de uma nova abordagem diplomática. Ele citou que o Ministério da Agricultura deixou de alimentar a base de dados da FAO por cerca de dez anos, o que prejudicou as negociações com a União Europeia.
Mencionou ainda o encerramento da cota de carne para a China, a necessidade de negociações mais diretas com o governo americano e a crise na silvicultura provocada por tarifas. “Acho que boa parte disso depende de uma nova diplomacia, uma nova maneira de fazer, uma reorganização geopolítica do Brasil”, concluiu.
Sobre a composição da FPA no novo Congresso, Lupion informou que a frente deve contar com cerca de 50 membros no Senado e praticamente todas as 333 cadeiras da Câmara já mapeadas, saindo, segundo ele, “muito fortalecida dessa eleição, principalmente no Senado”.
Fonte: CNN Brasil
