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IPCA de setembro permite cortes lentos da Selic, diz economista


A inflação brasileira registrou alta de 0,82% em setembro, conforme dados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) divulgados pelo IBGE.

O número, embora tenha ficado ligeiramente acima das expectativas do mercado, não representa uma mudança significativa nas perspectivas para a política monetária, segundo a economista Helena Veronese.

Em análise sobre os dados, Helena Veronese destacou que parte relevante da inflação mais elevada no mês foi impulsionada por fatores considerados voláteis. “Boa parte dessa inflação mais alta foi por conta de alguns fatores que vão sair da conta logo mais, são itens voláteis”, afirmou.

Entre esses elementos, ela citou a volta da cobrança de energia elétrica e a alta das passagens aéreas, que tendem a desacelerar nos próximos meses.

Do ponto de vista qualitativo, a economista avaliou que o cenário apresentou uma composição ambígua. Por um lado, houve desaceleração nos preços de bens industriais e nos serviços adjacentes.

Por outro, a média dos núcleos de inflação subiu, e o grupo de serviços de maneira geral voltou a avançar após meses de desaceleração. “A gente teve de fato uma composição que não dá para dizer que estamos passando por um período tranquilo do ponto de vista de processo inflacionário”, ponderou Veronese.

Sobre as perspectivas para a taxa Selic, a economista foi cautelosa. Segundo ela, o dado de setembro “permite que a gente continue tendo cortes lentos na Selic”, uma vez que a inflação acumulada em 12 meses segue acima do teto da meta.

Ela também mencionou que as projeções do relatório Focus apontam inflação de 4,3% para o ano seguinte, valor próximo ao teto da meta, indicando que ainda há desancoragem das expectativas.

Ao mesmo tempo, Veronese ressaltou que a economia demanda estímulos, com 50% das famílias endividadas segundo dados do próprio Banco Central.

Inflação de serviços ainda preocupa

A inflação do setor de serviços, que registrou alta de 0,61% em setembro, foi apontada como um ponto de atenção relevante. Veronese explicou que, embora comecem a aparecer sinais de estabilização, o patamar ainda é elevado.

“A inflação de serviços está num patamar que ainda preocupa. Não é um patamar tranquilo, não é um patamar que permita que o Banco Central, nesse momento, acelere o ritmo de corte”, disse a economista.

Ela chamou atenção especialmente para os serviços intensivos em mão de obra, como manicure, emprego doméstico e cabeleireiro, que seguem pressionados e contribuem para uma inflação de demanda mais elevada.

Ao excluir as passagens aéreas do grupo de serviços e observar os chamados serviços subjacentes, Veronese identificou uma queda, mas ainda em patamar elevado.

A conclusão da economista é que quedas mais consistentes na inflação de serviços ainda não são visíveis, mas devem ocorrer “no futuro não tão distante”, considerando os dados recentes de mercado de trabalho e o nível de endividamento da população.



Fonte: CNN Brasil

Rubem Gama

Servidor público municipal, acadêmico de Direito, jornalista (MTB nº 06480/BA), ativista social, criador da Agência Gama Comunicação e do portal de notícias rubemgama.com. E-mail: contato@rubemgama.com

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