Preocupação com saúde mental das empresas atinge 2º maior nível histórico
O Dia da Saúde Mental é celebrado mundialmente neste sábado (10) e, no mundo corporativo, o assunto já pesa no bolso.
No Brasil, cerca de 72% dos brasileiros trabalham em “modo de sobrevivência”, segundo estudo da Starbem realizado em junho deste ano. O número corresponde aos níveis mais altos de uma escala de tensão aguda.
Por outro lado, o anuário “Saúde Mental das Empresas”, lançado pelo Instituto Philos Org neste sábado, revela que, de 2025 para cá, os maiores grupos corporativos do país atingiram o segundo maior nível de preocupação em relação ao bem-estar de seus funcionários da série histórica.
Em uma escala de pontuação máxima de 16, o índice atingiu 8,02 pontos em 2026, com um leve recuo de 0,17 ponto em relação a 2025, quando o índice geral atingiu 8,19. Apesar da baixa, o número ainda é maior que em 2023, quando o índice apontava 5,40, e em relação a 2024, quando o indicador era de 5,06 pontos.
O anuário tem como base principal os relatos integrados, que são documentos elaborados pelas próprias organizações para prestar contas à sociedade e gerar valor ao negócio.
O levantamento também leva em consideração a área em que cada empresa está inserida. Neste ano, e pelo segundo ano seguido, o Setor Financeiro despontou como a área com maior pontuação do índice, com 10,8 pontos.
A empresa com maior avaliação no ranking desse grupo foi o Banco do Brasil (13,78), seguido por Bradesco (13,22) e Itaú Unibanco (12,57).
Nos demais setores, o ranking segue com TI, Telecom, Tecnologia e Comunicação em segundo lugar (8,77) e Indústria em terceiro (8,69). Confira o restante da classificação:
- Comércio: 8,43;
- Energia e Recursos Naturais: 7,98;
- Serviços, Transportes e Logística: 6,67;
- Alimentos e Bebidas: 6,09;
- Agronegócio: 5,78.
Entre as empresas de destaque, em um recorte geral, a Renner aparece como líder do ranking geral, com um índice de 14,35. Em seguida, o Banco do Brasil se destaca não só no seu grupo, mas também em um contexto maior. O Bradesco, por sua vez, fecha o pódio em terceiro lugar.
Em seguida, Arcelor Mittal (12,61), Itaú Unibanco (12,57), Vibra (12,17) figuram em quarto, quinto e sexto lugar. Completam o ranking das dez empresas com melhor desempenho no anuário: Petrobras (11,30), Suzano (10,96), Globo (10,95) e Embraer (10,91).
Custo sobre saúde mental do trabalhador
O aumento dos afastamentos por transtornos mentais no Brasil custou cerca de R$ 1 bilhão ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), segundo dados do início deste ano.
Ainda de acordo com o instituto, 1 em cada 7 trabalhadores foi afastado por transtornos mentais e comportamentais ao longo do ano passado – o equivalente a 546 mil trabalhadores, o maior número registrado historicamente e alta superior a 14,5% em relação a 2024.
O cenário alerta para a necessidade de mudança na cultura organizacional, que ainda falha em reconhecer elementos como carga de trabalho, modelo de gestão, metas e ambiente como potenciais geradores de adoecimento.
Nesse contexto, a atualização da Norma Regulamentadora n°1, há poucos meses do Dia Mundial da Saúde Mental, aproxima a legislação brasileira de padrões internacionais e reforça que a saúde mental também é saúde do trabalhador.
Assim, desde maio deste ano, a NR-1 passa a exigir oficialmente o gerenciamento de riscos psicossociais. Na prática, a norma coloca fatores como assédio moral, metas abusivas, jornadas excessivas e pressão constante no centro das obrigações corporativas, ao lado de riscos físicos, químicos e ergonômicos.
Os fatores de prevenção que passam a ser obrigatórios são os mesmos que ajudam o trabalhador a não passar pelo processo conhecido por “Burnout”, síndrome caracterizada pelo esgotamento físico e emocional do trabalhador.
Os principais pilares que caracterizam a síndrome incluem a exaustão, o distanciamento do ambiente profissional e a queda de produtividade. Uma pessoa que antes tinha uma relação produtiva, feliz e prazerosa com suas atividades laborais passa a demonstrar um comportamento distanciado e uma sensação de perda de eficiência.
O Brasil, por exemplo, além de passar por uma crise de afastamentos por questões de saúde mental, também passa por uma queda em sua produtividade – refletida, ainda, em sua competitividade frente aos demais países.
Um levantamento do FGV Ibre aponta queda de 0,5% na produtividade por horas trabalhadas no primeiro trimestre de 2026, reforçando uma tendência que já preocupa há décadas.
Nessa linha, a atualização da NR-1 representa uma mudança estratégica no sistema de trabalho. Segundo Amanda Bittencourt, gerente da operadora de saúde Care Plus Ocupacional, fatores como ambiente corporativo, pressão emocional, relações de liderança e organização do trabalho ganham peso formal após a medida.
“A partir do momento em que a norma exige um olhar estruturado para os riscos psicossociais, as empresas passam a ter mais condições de identificar padrões antes do esgotamento, agindo preventivamente para tratar a raiz do problema, e não apenas os seus sintomas.”
Fonte: CNN Brasil
