Irã sinaliza retomada de diplomacia com EUA, mas alerta sobre escalada
Veículos de comunicação iranianos sinalizaram que as negociações entre Teerã e Washington estão em andamento, mas o principal negociador do país ameaçou uma escalada do conflito caso os ataques de Israel ao Líbano continuem.
Nesta terça-feira (2), a agência de notícias semioficial Mehr informou que a proposta final do Irã para um acordo de cessar-fogo provisório com os EUA ainda está em discussão, indicando que as negociações foram retomadas após a agência estatal Tasnim ter noticiado, na segunda-feira (1º), que elas haviam sido suspensas devido aos contínuos ataques de Israel a Beirute.
Mas em uma publicação na rede social X, nesta terça-feira, o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, sugeriu que o Irã iria além da diplomacia e confrontaria Israel se os ataques ao Líbano continuassem.
Em conversa com o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, aliado do Hezbollah, Ghalibaf afirmou: “Enfatizei que, se os crimes do regime sionista no Líbano continuarem, não apenas interromperemos as negociações, como também nos oporemos a eles”.
“Viva a fraternidade entre os povos do Irã e do Líbano!”, concluiu ele.
Desde meados de março, Trump tem repetidamente afirmado estar perto de assinar um acordo de paz, mas ainda não o fez. Apesar do cessar-fogo, o Irã e os EUA trocaram ataques diversas vezes na última semana.
Enquanto isso, o chefe da Força Quds da Guarda Revolucionária do Irã, Esmaeil Qaani, ameaçou expandir o bloqueio do Estreito de Ormuz para o Estreito de Bab el-Mandeb, outro ponto de estrangulamento na entrada do Mar Vermelho.
Teerã já bloqueou o tráfego marítimo no Golfo Pérsico, região que antes da guerra fornecia um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, elevando drasticamente os preços.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e de Israel nessas nações.
Mais de 1.900 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvo do Hezbollah no país vizinho. Mais de três mil morreram no território libanês desde então.
Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.
Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, classificando-a como um “grande erro”. Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria “inaceitável” para a liderança do Irã.
Fonte: CNN Brasil
