Virginia e Blaze: MP pede que empresa de bets indenize apostadores
No processo movido pelo MPDFT (Ministério Público do Distrito Federal e Territórios) contra a influenciadora digital Virgínia Fonseca e a empresa de apostas Blaze, a Justiça pediu que a plataforma seja condenada a indenizar os apostadores.
Entre as novas solicitações protocoladas nesta segunda-feira (20), o MPDFT pede que a Justiça determine que a empresa indenize e devolva a totalidade dos prejuízos financeiros sofridos por apostadores contumazes que forem diagnosticados com ludopatia (vício em jogos digitais e apostas).
“Por evidente, a empresa demandada também deve ser responsável por vigiar seus apostadores compulsivos”, defendeu o promotor Paulo Roberto Binicheski na petição.
Além da reparação aos apostadores com diagnóstico de saúde mental, o Ministério Público apresentou ao processo a verificação contábil da Blaze referente a 2025, que revelou um faturamento bruto de R$ 1,9 bilhão.
Com base nos dados, o órgão pediu que seja paga, também, uma indenização por dano moral coletivo com valor estimado em até R$ 380 milhões — correspondente a 20% do faturamento da empresa, e o teto sancionatório calculado pela Lei de Defesa da Concorrência.
Na última semana (16) o TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios), que julga o caso, negou o pedido do MPDFT para suspensão imediata de certas campanhas publicitárias da plataforma e da influenciadora, remoção dos conteúdos digitais já publicados e suspensão de acordos e remunerações aos influenciadores contratados pela plataforma.
No novo pedido, o Ministério Público reforça o pedido para tutela de urgência — aplicação imediata das medidas negadas.
Tanto o pedido quanto o recurso para uma nova análise do pedido de suspensão imediata de determinadas atividades da plataforma e da influenciadora serão analisadas pelo TJDFT.
Valores movimentados pela empresa
Com base no balancete contábil de 2025 juntado ao processo pelo MPDFT, a plataforma de apostas Blaze movimentou bilhões em suas operações no Brasil, acumulando um volume total de depósitos efetuados por apostadores na casa dos R$ 11 bilhões.
Desse montante, a empresa registrou um faturamento bruto de R$ 1,9 bilhão, gerando uma receita líquida de R$ 1,1 bilhão.
Ao final do período de 11 meses analisado, a operação alcançou um lucro líquido de R$ 361 milhões (margem de 33%), dos quais R$ 350 milhões foram enviados à matriz da empresa, no exterior.
A demonstração financeira revela ainda que os maiores custos da plataforma estão concentrados na atração e retenção de apostadores.
A empresa desembolsou R$ 330 milhões em publicidade externa incluindo contratos e impulsionamentos, R$ 388 milhões com programas de fidelidade (loyalty cost) e R$ 89 milhões em concessão de bônus.
O documento contábil mostra também pendências contratuais diretas com os influenciadores, como Virginia Fonseca (com obrigações totais de R$ 6,4 milhões, dos quais R$ 2,77 milhões haviam sido pagos), Jon Vlogs (R$ 2,8 milhões) e Renato Garcia (R$ 5,3 milhões), além de R$ 952 mil pagos a título de indenização por rescisão de contrato ao cantor Zé Felipe.
Ministério Público processa Virgínia e Blaze
O MPDFT abriu, no início deste mês, uma nova ação pública contra a influenciadora e a Blaze. Segundo o órgão, a influenciadora Virginia Fonseca teria participado de um modelo “estruturado de captação de apostadores”, comandado pela plataforma de apostas Blaze, durante os jogos da Copa do Mundo deste ano.
Segundo o documento do MP, obtido pela CNN Brasil, Virginia teria adotado estratégias para captar os apostadores na partida entre Argentina e Cabo Verde. Na ocasião, a influenciadora, com mais de 56 milhões de seguidores nas redes sociais, teria estimulado o público a apostar na vitória da seleção africana.
Para o Ministério Público, além da aposta ser “de baixa probabilidade e alto retorno potencial”, a influenciadora ainda teria usado linguagem emocional para induzir os seguidores a apostarem. Nos vídeos divulgados por Virginia, a influenciadora afirmou que estava “esperançosa” com a vitória de Cabo Verde.
O MP ainda argumentou que as gravações não tinham sinalização para avisar ao público que o conteúdo tinha indícios de publicidade. “Virginia operou sobre um viés cognitivo documentado, intensificando a percepção de atratividade de um resultado objetivamente improvável sem qualquer menção às probabilidades reais”, diz o documento.
Segundo o documento, além de Virginia, a plataforma de apostas também adotou uma estratégia coordenada de intensificação publicitária coincidente com as partidas do campeonato, explorando uma “alta exposição emocional e o engajamento coletivo do torneio para induzir o consumo impulsivo”.
Virginia ganha 30% sobre prejuízo de apostadores
A nova ação civil pública do (MPDFT) apontou que a influenciadora Virginia Fonseca poderia receber 30% de comissão sobre as perdas de quem seguia as recomendações de aposta.
*Sob supervisão de Thomaz Coelho
Fonte: CNN Brasil
