Análise WW: Juros altos colocam empresas e famílias nas cordas
O pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, uma das maiores redes de lojas de móveis e eletrodomésticas do Brasil, vai além da crise do modelo de negócios do varejo.
Reflete, também, a combinação de juros em dois dígitos travando modelos de negócios há mais de quatro anos e a renda das famílias comprometidas cada vez mais com dívidas, beirando a inadimplência – o que deixa o crédito ainda mais caro.
A isso, também se soma a proliferação das bets, que têm promovido dívidas no CPF de pessoas que buscam nas apostas o dinheiro para pagar boletos – mas que acabam acumulando um passivo incompatível com suas rendas.
De ponta a ponta: Por um lado, varejistas veem o crédito caro tornar o custo financeiro de realizar investimentos, manter o fluxo de caixa e rolar dívidas ainda mais caro. Por outro, as famílias, cada vez mais endividadas, ficam com a renda cada vez mais comprida para comprar bens duráveis, em um desestímulo ao consumo no varejo.
O varejo é o setor que mais responde à política de transferência de renda do governo
Arcabouço inócuo: Os inúmeros “poréns” nas despesas que entram no cômputo nas regras fiscais podem dar ao governo o direito de levantar a bandeira de que está cumprindo com o arcabouço, mas não o de que está controlando a dívida pública – que é o objetivo final de um mecanismo do tipo.
O caso da Casas Bahia era o que a campanha de Flávio estava esperando para levar o assunto da economia
Eleições presidenciais: A campanha de Lula (PT) defende dar mais atenção ao corte de despesas obrigatórias – mas sem sinalizar exatamente onde. Já no lado de Flávio Bolsonaro (PL), se fala em um “tesouraço” contra ministérios e supersalários. Em suma, ninguém quer falar de medidas impopulares.
Grande dúvida dentro e fora do PT é até onde Lula, em um último mandato, faria um ajuste fiscal
* Publicado por Henrique Sales Barros
Fonte: CNN Brasil
