Inflação dos EUA ainda está muito acima da meta do Fed, diz economista
A inflação americana apresenta sinais de desaceleração, mas segue muito acima da meta estabelecida pelo Fed (Federal Reserve). A avaliação é de Marcello Estevão, diretor-gerente e economista-chefe do IIF (Instituto de Finanças Internacionais), ao WW.
Segundo Estevão, o índice de inflação acompanhado pelo Banco Central americano registrou alta de 3,7% em julho, na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Já o núcleo desse índice — métrica preferida pelo Fed — ficou em 3,3% no mesmo período. “A meta do Fed é 2%, então está bem acima da meta”, destacou o economista.
Argumentos a favor e contra o aumento dos juros
Estevão reconheceu que existem argumentos contrários à elevação da taxa de juros, uma vez que a taxa de juros é considerada “um instrumento bastante bruto”.
Ele apontou que há fatores específicos que explicam a persistência da inflação elevada, como a alta do petróleo — embora parte do mercado avalie que esse movimento não deve se prolongar. “Tem várias explicações, mas no fundo o que importa é que o Fed não atingiu a meta há cinco anos e está muito acima”, afirmou.
Para o economista, o raciocínio do Fed é que, mesmo com a inflação em trajetória de queda, o ritmo é excessivamente lento. Nesse contexto, um ajuste moderado nos juros seria necessário para tornar a economia um pouco mais restritiva e acelerar a convergência em direção à meta.
“O Fed acha, com razão, eu creio, que é importante aumentar um pouquinho os juros e fazer a economia ficar um pouquinho mais apertada para que esse movimento em direção à meta seja mais rápido”, concluiu Estevão.
Fonte: CNN Brasil
